AO GOSTO DO FREGUÊS
Clientes ilustres palpitam em receitas, e seus nomes vão parar nos cardápios

“Aqui todo mundo come o Pedro Bial”, brinca o gerente da Padaria Século XX, Igor Ascenção, que serve o sanduíche em homenagem ao jornalista numa baguete francesa. No recheio dois ovos mexidos com Polenguinho. “Ele sempre pedia, os amigos começaram a querer também e depois todo mundo vinha e pedia um Pedro Bial”, lembra Igor. A criação, de R$3,50 é uma prova de que, mesmo em tempos de chefs-celebridades, receitas de clientes são sempre bem vindas e , quando boas, vão para o cardápio.

“Em certos casos os pratos se tornam tão populares que viram domínio público, como o filé Osvaldo Aranha. Todo lugar serve”, cita a chef Andréa Tinoco. No empório Santa Fé, o chef por acaso foi o cineasta Luiz Carlos Barreto, que passou para casa a receita do salmão à la Barretão – criação do seu genro ex-jogador de futebol Cláudio Adão. “Não sei se é só para puxar o saco, mas o Barretão diz que o Cláudio faz o melhor peixe do mundo”, entrega Ribamar Aragão, um dos sócios do restaurante. A receita: uma posta do peixe preparada no forno com molho shoyo e rodelas de cebola roxa. Acompanha purê de maça. “Faz sucesso porque é light”, acrescenta Ribamar, que tem vários clientes ilustres, mas nenhum outro com o nome estampado no cardápio.

Fã de frutos do mar o designer de jóias Pepe Torras, bom catalão, foi a inspiração para o restaurante Garden incluir no cardápio a paella à sua moda. Ex-presidente da confraria Companheiros da Boa Mesa, Pepe é exigente. Foram necessárias algumas visitas à cozinha para provar o ponto ideal da receita, que leva lula, polvo, camarão, caranguejo, badejo e açafrão espanhol, para temperar o arroz. E não para por aí. “Há um ingrediente no tempero que é segredo. Confere sabor e cor especiais”, despista Jorge Renato Thomaz, um dos sócios do Garden, em Ipanema.

As criações seguem uma tradição iniciada no restaurante mais antigo em atividade na cidade, o Rio Minho, na Rua do Ouvidor, onde um dia o político baiano Pedro Leão Velloso, teria admirado a cozinha para adaptar a bouillabaisse francesa – uma sopa de frutos do mar – para os trópicos.

 

salmão

Ao ponto. O cineasta Luiz Carlos Barreto ensinou receita de salmão ao "chef" do Santa Fé